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Horta em casa (parte 2)

O vizinho deu a terra preta e ainda ajudou no transporte

Uma das coisas mais legais de participar da preparação de uma horta nem é o cultivar em si, mas o cultivar em grupo. É o que estou aprendendo com a experiência na casa do irmão do meu marido. Fiquei pensando sobre isso neste fim de semana, depois de, por três sábados seguidos, ajudar e ver amigos do meu cunhado – da bicicletada, do trabalho e da Casa da Videira – ajudando nesse projeto. Ontem e hoje, até os vizinhos deram uma mãozinha (mãozona, na verdade), doando a terra preta que sobrou da grama trocada no terreno deles.

contei aqui como foi o primeiro sábado, acabei não fazendo um relato do segundo (o que teve mais gente por lá) e agora vou falar um pouquinho sobre o terceiro. O trabalho ainda não terminou, como estava previsto. No segundo sábado, apesar de ter muita gente na casa (vários bebês fofos inclusive), na prática, só foram enterrados os dois palanques das extremidades da cerca e mal iniciado o primeiro canteiro. O grupo se dividiu: alguns ficaram trabalhando na área da horta e outros foram atrás de material orgânico para compostagem, principalmente de restos de gramado após aparação. Outra parte ficou na casa junto com os bebês.

Grande parte da turma que compareceu no segundo sábado: parentes e amigos

Enterrando palanques para a cerca

Ontem as coisas pareceram andar mais depressa. Todos os palanques foram enterrados e foi dado início à colocação dos paletes, que vão funcionar como cerca. Essa reutilização, aliás, é bem legal. Os paletes são estrados de madeira usados para transporte de blocos de calçamento, e muitas vezes vão parar no lixo. Dessa vez não; vão virar cerca.

Já deu até para isolar a área em que vai ficar a horta. O isolamento foi necessário, pois parte do quintal é utilizada pelos cachorros da casa, que, caso não houvesse uma separação, poderiam bagunçar o canteiro (onde eu trabalhei ontem).

Trabalhando no canteiro

No canteiro, nós delimitamos a área com barbante, capinamos e colocamos material para compostagem e terra preta, que irão transformar o subsolo argiloso do local em solo fértil para plantação. Faltou apenas terminar de delimitar a área com telhas. Mas isso e a finalização da cerca ficam para o próximo sábado.

Antes: no primeiro dia o terreno estava assim

Depois: agora está ficando assim

Leia também:
Horta em casa

Comércio justo

Comecei a pensar sobre escrever aqui no blog a respeito de comércio justo depois de trocar alguns comentários com Rafisa no post sobre feiras orgânicas. Hoje, depois de uma experiência na Feira do Cabral, me senti obrigada a escrever algumas linhas sobre o assunto.

Na quinta-feira passada, também fui à Feira do Cabral e, entre outras coisas, comprei um maço de alface-crespa por R$ 1. Hoje, na mesma barraca, comprei dois maços pelo mesmo preço. A justificativa (oi? nem precisava) que o feirante deu para cobrar R$ 0.50 por maço foi que eles estavam menores esta semana. Na semana passada, lavei as folhas de alface e enchi um pote de plástico com elas. Hoje, lavei as folhas novamente e enchi 1,5 pote de plástico do mesmo tamanho.

Ainda sobre hoje, em outra barraca, vi umas mandiocas e fiquei com vontade de levar pelo menos uma pra casa. Eu tava com pouco dinheiro, de propósito, para não sair comprando tudo que via (hehehe), então só podia gastar R$ 1. Por isso pensei em levar apenas uma mandioca. O feirante então me disse que ele nem ia cobrar. Fiz questão, claro, que ele me cobrasse, por isso levei mais duas mandiocas para que o total desse R$ 1 certinho (custava R$ 2,50 o quilo e o que levei deu R$ 0,99).

Não tive como não pensar naquelas embalagens de biscoitos no supermercado, em que as fábricas reduzem o peso e volume e ainda fazem propaganda: “compre, nova embalagem”. O preço, por outro lado, é o mesmo de antes, se não maior. Tem também aquelas embalagens econômicas, que, se você for fazer o cálculo comparando, não são nada econômicas. Talvez, quem sabe, a economia seja na quantidade de plástico que eles usam para embalar o produto. Sei lá!

Saí da feira hoje pensando que não tem como eu deixar de consumir em feiras orgânicas e trocá-las por supermercados. Duvido muito que teria alguma dessas experiências em um deles. É tudo muito impessoal, para começo de conversa, por mais que você tente ser simpática e educada. Fato é que supermercado, há algum tempo, é exceção aqui em casa. Ontem mesmo fui lá, pra comprar iogurte natural e papel higiênico. E só. Foi a compra de duas semanas.

Agora que fique claro: comércio justo não tem a ver apenas com preço.

Características do Comércio Justo e Solidário:

  • Relações comerciais mais justas, solidárias, duradouras e transparentes
  • A co-responsabilidade nas relações; comerciais entre os diversos participantes na produção, comercialização e consumo;
  • A valorização nas relações comerciais, da diversidade étnica e cultural e do conhecimento das comunidades tradicionais.
  • A transparência nas relações comerciais, na composição dos preços praticados e na elaboração dos produtos, garantindo acesso a informação acerca dos produtos, processos, e organizações que participam do CJS.

Objetivos:

  • Promover o desenvolvimento sustentável, a justiça social, a soberania, e a segurança alimentar e nutricional;
  • Garantir os direitos dos (das) produtores (ras) e consumidores (ras) nas relações comerciais;
  • Fortalecer a cooperação entre produtores –comerciantes- consumidores e suas respectivas organizações para aumentar a viabilidade, reduzindo riscos e dependências econômicas;
  • Promover a autogestão; equidade de gênero, étnica e de gerações;
  • Garantir a remuneração justa do trabalho,
  • A valorização e preservação do meio ambiente, com ênfase na produção de produtos de base agroecológica e das atividades do extrativismo sustentável

Fonte: www.comerciojusto.com.br

O comércio justo vai de encontro às ideias do capitalismo mais predador e selvagem, que infelizmente ainda é o tipo de pensamento que muitas empresas, pequenas e grandes, seguem no mundo inteiro. Há um outro nome para isso: ganância. A nós, que discordamos desse tipo de postura, só nos resta torcer e fazer a nossa parte para que o mundo se torne mais ético e mais justo, também nas relações comerciais. Como? Nós consumidores podemos fazer uma escolha (dependendo da cidade, isso pode ser mais difícil): desistir de comprar em empresas convencionais (principalmente nas grandes redes) e passar a adquirir produtos em estabelecimentos locais, menores e mais coerentes com o movimento do comércio justo.

Saiba mais sobre comércio justo:

Comércio justo (Wikipédia)

comerciojusto.com.br

Faces do Brasil

Ética Comércio Solidário

Como funciona o comércio justo

Associação Ponto Solidário

Agricultura orgânica & comércio justo

Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário

Programa EcoSocial

Feiras orgânicas

Quem prefere consumir orgânicos sabe que o melhor lugar para comprar esses produtos são as feiras de produtores. E quem mora em Curitiba tem muitas opções de feiras orgânicas.

Terça-feira:

  • Campina do Siqueira – Rua São Vicente de Paula – ao lado do Terminal de Ônibus – das 7h às 12h

Quarta-feira:

  • Emater (feira mista – orgânico e convencional) – Rua da Bandeira em frente à Emater – das 7h às 12h
  • Prefeitura Municipal de Curitiba – Rua Papa João XXIII ao lado da Prefeitura – das 7h às 14h
  • Praça do Expedicionário – Rua Saldanha de Gama (Praça do avião) – das 7h às 12h

Quinta-feira:

  • Cabral – Praça São Paulo da Cruz (Igreja do Cabral) – Av. Paraná esquina com rua Bom Jesus – das 7h às 12h
  • Praça do Japão – Av. Republica Argentina com av. 7 de setembro – das 14h às 19h

Sábado:

  • Passeio Público – Rua Presidente Faria – das 7h às 12h
  • Jardim Botânico – Rua Dr. Jorge Mayer – Praça de Itália ao lado da Igreja – das 7h às 12h
  • Praça da Ucrânia – Av. Candido Hartmann esquina com ruas Pe. Anchieta e rua Capitão Souza Franco – das 7h às 12h
  • Santa Felicidade – Praça Piazza San Marco – Via Veneto, em frente à Rua da Cidadania de Santa Felicidade – das 7h às 12h

Além das feiras, tem o Setor de Orgânicos do Mercado Municipal (Rua da Paz, nº 608), que funciona na segunda, das 7h às 14h, de terça a sábado, das 7h às 18h, e aos domingos, das 7h às 13h.

No último sábado, fizemos compras na Feira do Passeio Público

Nos últimos anos, eu já comprei orgânicos na feira do Campina do Siqueira, do Passeio Público e do Cabral. Perto de onde moro atualmente, tem bastante opção. Dá pra comprar orgânicos em quatro feiras, às quartas, quintas e aos sábados. Dessas, já comprei em duas. Estou querendo ir às outras duas feiras para conhecer todas e ver qual é a melhor opção para mim, levando em consideração proximidade, dia da semana, preço e variedade e qualidade dos produtos.

Aliás, sobre qualidade dos produtos, posso dizer que nunca tive problemas, desde que comecei a comprar orgânicos. Pelo contrário, dá pra perceber como os produtos são superiores aos convencionais. Além de serem mais saudáveis e ambientalmente amigáveis também.

Sobre as feiras do sábado, me deram a seguinte dica: quanto mais antiga é a feira, mais caros são os produtos. Assim, a feira do Passeio Público, a primeira de Curitiba, pratica os preços mais altos. A feira mais barata é a de Santa Felicidade, a mais nova. Depois é a da Praça da Ucrânia e a do Jardim Botânico.

As informações sobre dias, horários e locais das feiras orgânicas de Curitiba eu tirei do site da Prefeitura. Dá para achar informações sobre onde encontrar orgânicos em outras cidades no site Planeta Orgânico, no site da Rede de Agricultura Sustentável e em uma reportagem do IG. Quem tiver mais informações sobre como adquirir orgânicos em outras cidades e em Curitiba, por favor compartilhe com a gente nos comentários.

Cestinhas das bicicletas com as compras do último sábado: alho poró, limão, açúcar demerara e mascavo, farinha de trigo integral, semente de girassol, alface e outros produtos. Tudo em sacolas de pano, claro!

Horta em casa

Mas, infelizmente, não é na minha casa. É na do meu cunhado e de sua esposa, Luís Cláudio e Lia. Hoje foi o primeiro dia de preparação da horta deles, e eu e Eduardo fomos ajudá-los. Há algum tempo eles estavam pensando em usar parte do quintal para fazer uma horta. Os dois até já têm plantado algumas coisas, como abóboras gigantes (sério, elas são grandes mesmo), maracujá e algumas árvores frutíferas.

Antes de iniciarmos os trabalhos, o quintal estava assim

Só que agora a coisa tá ficando mais séria. A preparação da horta de Cláudio e Lia está contando com o apoio do Coletivo de Subsistência, projeto da Casa da Videira. Então, além de nós quatro, também ajudaram lá hoje Mário, Homero (que é agrônomo e trabalha com produção de orgânicos) e Rebeca.

Antes de falar sobre o que aconteceu hoje, vou explicar um pouco sobre o coletivo. Eu e Eduardo participamos desse grupo desde junho de 2009 e, mais ou menos desde essa época, a casa de Cláudio e Lia funciona como uma das quatro bases do projeto.

O Coletivo de Subsistência existe há mais de três anos. Até pouco tempo, funcionava assim: um grupo de pessoas, com interesse em adquirir orgânicos, recebia uma lista de produtos disponíveis, a cada semana, enviada pelos coordenadores do coletivo. Com base na lista, nós fazíamos nossos pedidos. No começo, tínhamos que buscar as nossas encomendas em uma espécie de armazém, na então sede da Casa da Videira. Depois, em 2009, o pessoal resolveu difundir o coletivo, articulando quatro bases em diferentes bairros da cidade. Outras atividades paralelas também eram realizadas, como o Saberes e Sabores (em que a gente aprende um pouco mais sobre algum aspecto da alimentação) e visitas ao campo (eu já fui, por exemplo, colher uvas orgânicas em uma propriedade na Região Metropolitana de Curitiba).

A partir desse ano, o coletivo não vai mais enviar listas semanais, pois passou a ter outro foco: o incentivo a quem deseja produzir em seus próprios lares. Para isso, o grupo dará suporte a quem tem interesse em ter uma horta em casa e realizará cursos sobre produção urbana de comida (que devem começar em março).

A ajuda na preparação da horta de Cláudio e Lia é a primeira atividade do ano e vai acontecer durante três sábados consecutivos. Hoje, basicamente começamos a limpar o terreno, definimos a área de cultivo e de compostagem e planejamos como as coisas serão realizadas daqui pra frente. Foi demarcado o espaço da horta provisoriamente com uma corda de barbante e feito um plano de ação para os próximos dois sábados.


No fim da manhã, o quintal ficou bem mais limpo. A corda (dá pra ver?) marca onde ficará a cerca.

No próximo encontro, montaremos, pintaremos e instalaremos a cerca, terminaremos de limpar o terreno e começaremos a arrumar os canteiros. No último sábado, trabalharemos nos canteiros e acho que já começaremos a plantar algumas coisas, como hortaliças, verduras e temperos.

Ajudar a preparar a horta foi um pouco cansativo. Mas, para além disso, acredito que foi bastante gratificante para todos nós trabalhar em equipe, em um projeto tão bacana como esse. Depois do trabalho, comemos todos juntos um almoço vegetariano realmente delicioso preparado pelo meu marido e pela Lia. E, no final, ainda levamos abóbora orgânica pra casa!

Da esquerda para a direita: Luís Cláudio, Homero, Rebeca, Eduardo, eu, Lia e Mário. Bem na frente e de costas, Ana Maria.

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