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Sinclair X-1 – Pedalando numa boa (?)

Acho bacana considerar alternativas de locomoção pela cidade. Digo, alternativas ao carro. Meu principal meio de transporte é a bicicleta, por exemplo. Também ando bastante a pé e, eventualmente, pego ônibus e táxi.

Pra mim, a bicicleta é maravilhosa no trânsito. Chego rápido, faço meu caminho, meu horário, é barata, me deixa mais saudável etc.

Mas é claro que há poréns: a chuva te molha, o motorista não te vê etc.

Fico pensando se aumentar a diversidade de veículos pequenos, simples e não poluentes não seria uma coisa bem bacana. Como esse, a bicicleta elétrica Sinclair X-1:

 

A Sinclair X-1 deve estar disponível em julho deste ano (2011) por £595. Quem vive e trabalha no Reino Unido tem 50% de desconto concedido através de incentivo GOVERNAMENTAL para IR AO TRABALHO DE BICICLETA. Maravilha!

Eu teria uma bike convencional e uma Sinclair X-1 na minha garagem. Fácil.

7% dos brasileiros usam a bicicleta como principal meio de transporte

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou na segunda-feira (24) uma pesquisa interessante: o Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) sobre mobilidade urbana. Como acredito que eu não tenha muito embasamento para fazer análises, vou apenas citar os principais dados da pesquisa.

(Sei que o texto está grande, mas foi o que consegui fazer, afinal são 22 páginas de pesquisa. Uma dica para leitura dinâmica: concentre-se nas informações em negrito)

  • O meio de transporte mais utilizado pelos brasileiros para locomoção dentro da cidade, com pouco mais de 44%, é o transporte público, sendo este, em geral, o ônibus, seguido pelo transporte por carro, 23,8%, e por moto e a pé com valores similares, 12,6% e 12,3%, respectivamente.
  • 7% dos brasileiros usam a bicicleta como principal meio de transporte. A Região Sul é onde menos se usa a bicicleta (2%) e as regiões Norte e Nordeste, onde mais se usa (17,9%, tanto no Norte como no Nordeste).
  • Quase 50% das pessoas que andam de ônibus no país estão na região Sudeste, enquanto 45,5% daqueles que utilizam bicicleta moram na região Nordeste. 43,4% dos utilizadores de motocicleta também estão no Nordeste.
  • Quanto mais alto o nível de escolaridade, mais o meio de transporte carro é utilizado. Mais da metade das pessoas com nível superior completo ou incompleto e com pós graduação, 52,4%, utilizam esse transporte, e pouco menos de 30% utilizam o transporte público. Quase 50% das pessoas com até a quarta série do primeiro grau utilizam o transporte público e apenas 13,6% usam carro.
  • Quanto à bicicleta, ela é mais usada por quem tem nível de escolaridade até a quarta série do Ensino Fundamental (9,1%) e de quinta a oitava série (9,3%). O índice diminui quando o grau de escolaridade aumenta: 5,8% entre os que têm Ensino Médio completo ou incompleto e vergonhoso 0,5% entre os que têm Ensino Superior incompleto, completo e pós-graduação.
  • No geral, 69% dos cidadãos disseram que enfrentam engarrafamentos.
  • O número de pessoas que enfrentam congestionamentos mais de 1 vez por dia na região Sudeste é de 21,6%, um pouco acima da média nacional, de 20,5%, mas abaixo da região Norte, com 26,2% dos casos. Na frequência de 1 vez por dia, novamente a região Norte se apresenta em primeiro, com 19,7% dos casos, as regiões Centro-Oeste e Nordeste pouco acima da média nacional de 16%, e a região Sudeste e Sul com menores índices, em 15,5% e 14% respectivamente.
  • Entre os tipos de integração mais utilizados, o primeiro é o ônibus-ônibus, com uma média nacional de 33,2%, e com as regiões Nordeste e Sul como as que mais utilizam – 49,8% e 42,6%, respectivamente.
  • Quanto à integração da bicicleta com outros modais, o Brasil, pelo visto, está atrás até na pesquisa que desenvolve sobre mobilidade urbana. Não foi nem considerada a possibilidade de integração bicicleta-ônibus ou bicicleta-metrô na pesquisa. Também… Cidades que disponibilizam esse tipo de integração são raras por aqui.
  • Quanto à pontualidade dos transportes públicos, na média nacional, 41,5% acham que sempre há atraso, com destaque para o Sudeste, com 51,5%, acima da média, e o Sul, com 28,4%, abaixo da média. Na região Norte, 12% afirmam que nunca há atraso no transporte público. No Centro-Oeste, o índice é de 1,6% (média nacional de 7,9%).
  • De cada três brasileiros, dois tiveram a percepção de que a sinalização de trânsito é ruim.
  • Ainda sobre a sinalização de trânsito, nas regiões Norte e Nordeste, há o maior número de entrevistados que consideram-na ruim ou muito ruim. A região Sul é aquela em que há mais entrevistados satisfeitos com a sinalização, com 68,2%. No Brasil, 43,7% acham a sinalização boa e 24,9%, ruim.
  • Para os brasileiros, é considerado um bom transporte aquele que é rápido (35,1%), disponibiliza mais de uma forma de se deslocar (13,1%), é barato (9,9%), é confortável (9,7%), permite que a pessoa saia num horário adequado à sua necessidade (9,3%). Ser saudável e poluir pouco é importante para 1,3% e 2,3%, respectivamente.
  • Os principais motivos para escolha do meio de transporte utilizado são: rapidez (32,7%), preço (14,8%), único do qual a pessoa tem conhecimento (10,5%) e facilidade de uso (8,3%). 6% escolheram o meio de transporte por ser saudável e 0,8%, por poluir pouco.
  • Nacionalmente, pouco menos de 20% da população acha o transporte público muito ruim. Os números são piores no Norte, com 28,2% da população com essa opinião. Apenas no Sul, menos de 10% acham o transporte muito ruim. A opinião predominante é de que o transporte público é regular, sendo a média nacional de 31,3%. Nas regiões, os valores variam de 36,2% no Nordeste, a 28,5% no Norte. O número de opiniões favoráveis é baixo, alcançando 0,4% para Muito Bom na região Nordeste.
  • Também quanto à qualidade do transporte, observa-se um nível crítico maior entre as pessoas com mais escolaridade: 34,9% daquelas com até a quarta série do primeiro grau acham o transporte muito bom ou bom, mas somente 20,1% das pessoas com nível superior incompleto, completo, ou pós-graduação dividem essa opinião. Entre as pessoas com maior nível de educação, 36,9% acham o transporte muito ruim/ruim, e entre os com menor nível, somente 22,5% têm essa opinião.
  • 66,9% das pessoas se sentem seguras sempre ou na maioria das vezes em seu transporte mais utilizado, e 32,6% não se sentem seguras nunca ou se sentem apenas raramente.
  • 57,7% dos entrevistados nunca foram assaltados e nem conhecem alguém que foi assaltado no meio de transporte que mais usam. No Sul esse índice é de 71,7%.
  • A porcentagem das pessoas que nunca sofreram acidentes nem conhecemalguém que sofreu é de 53,4% no Brasil. Apenas 9,4% dos entrevistados responderamque já sofreram algum acidente no meio de transporte que mais utilizam.
  • Os dados sobre a adequação dos meios de transporte às pessoas com deficiência se revelam assimétricos entre as regiões. Na região Sudeste, para mais da metade dos entrevistados, os transportes são sempre adaptados às suas necessidades, com 51,2%. Bem abaixo, a média nacional apresenta 31,2% dos respondentes que consideram os transportes sempre adequados, contra 9,1% na região Centro-Oeste e 4,8% na região Norte. Apesar de a região Nordeste apresentar um índice de 31,8% de pessoas que consideram que o meio transporte sempre está adaptado às necessidades, 45,5% dos entrevistados da região consideram que os meios de transporte nunca estão aptos para o deslocamento de pessoas com necessidades especiais, índice semelhante ao da região Centro-Oeste.
  • Sobre o que levaria aqueles que não usam transporte público a utilizá-lo, a disponibilidade e a rapidez obtiveram, o maior índice de respostas, ultrapassando, juntas, 40% das opções para a região Nordeste. Com a exceção da região Nordeste, em que a disponibilidade foi mais citada, as demais regiões optam primeiramente pela rapidez. Como terceira opção, o preço (ser mais barato) e o conforto aparecem juntos, com aproximadamente 15% das considerações. Com exceção do Centro-Oeste, as demais regiões levam em conta mais o preço que o conforto. Contudo, uma parcela considerável dos respondentes afirma que nenhuma opção os faria utilizar os transportes públicos, com 14,7% para a região Norte, 32,5% para a região Centro-Oeste, e uma média nacional de 24,1%.
  • A região Centro-Oeste aparece como a região com menor índice de rápidos deslocamentos a pé ou de bicicleta, com apenas 33,3% deles sendo de até 15 minutos, longe da média nacional, de 51%. Na mesma região, os respondentes com deslocamentos de até 30 minutos são 48,5%, índice bem acima da média nacional de 34,7%. O índice de respondentes que fazem deslocamentos com até 1 hora é maior nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, com 13,6% e 12,1%.
  • Considerando o Brasil, a maioria da população percebe desrespeito a pedestres e ciclistas. O índice mais alto daqueles que nunca veem respeito aos pedestres e ciclistas está no Nordeste: 47,3%. Já 15,9% raramente veem respeito.
  • No Sul, 42,4% dos entrevistados responderam que sempre há sentimento de respeito à condição de pedestre e ciclista, enquanto 17% acham que isso acontece quase sempre.
  • A quantidade de ônibus em circulação no Brasil cresceu menos, de 2000 a 2010, que a quantidade de veículos particulares. Hoje, há um ônibus para cada 427 habitantes, e, em 2000, era um para 649 pessoas. Em relação aos carros, a proporção hoje é de um automóvel para cada 5,2 habitantes, enquanto há dez anos era de 8,5.
  • Para cada ônibus novo colocado em circulação nos últimos dez anos, apareceram 52 automóveis.
  • Em 2000, o gasto com transporte era responsável por 18,7% das despesas de consumo do cidadão, em média. Em 2010, chegou a 20,1%, enquanto a alimentação caiu de 21,1% para 20,2% no mesmo período.

Fontes:

Sistema de Indicadores de Percepção Social – Mobilidade Urbana

Gasto com transporte é igual a despesa com alimentação (notícia da Agência Ipea)

Gráficos de apresentação sobre o SIPS – Mobilidade Urbana

Pessoalmente, acho que a pesquisa não trouxe nenhum dado surpreendente. Mas é importante para confirmar algumas coisas que muitos pensam sobre mobilidade urbana e para mostrar o quanto o Brasil ainda tem que progredir nesta área. Só discordo mesmo da parte que afirma que a maioria no Sul acha que pedestres e ciclistas são respeitados sempre ou quase sempre.