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Estudo do Ibama aponta: agrotóxicos comercializados no país são perigosos para o meio ambiente

Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no dia 24 de janeiro mostrou que a maioria dos agrotóxicos comercializados no país é perigosa para o meio ambiente. Este foi o primeiro relatório produzido pelo Ibama sobre comercialização de agrotóxicos no Brasil.

Alguns pontos importantes da publicação, denominada “Produtos agrotóxicos e afins comercializados em 2009 no Brasil – uma abordagem ambiental”:

  • Os agrotóxicos são classificados pelo Ibama em quatro níveis de “potencial de periculosidade ambiental”: classe 1 para os altamente perigosos, classe 2 para os muito perigosos, classe 3 para os perigosos e classe 4 para os pouco perigosos.
  • Em 2009, 88% dos defensivos agrícolas comercializados no país pertenciam às classes 1, 2 e 3: 1% são da classe 1, 38% da classe 2, e quase metade, 49%, da classe 3.
  • Só 12% dos defensivos comercializados eram pouco perigosos para o meio ambiente.
  • Na avaliação por estados, o panorama é parecido com o nacional, com exceção do Amazonas, onde a maioria dos agrotóxicos comercializados foram do tipo pouco perigoso para o meio ambiente.
  • Entre os riscos dos agrotóxicos para a natureza estão interferências nos processos de respiração do solo e distribuição de nutrientes, além da mortandade de espécies de aves e peixes.
  • O insumo agrotóxico mais comercializado no país em 2009 foi o herbicida glifosato, utilizado em lavouras de 26 culturas diferentes, entre elas arroz, café, milho, trigo e soja. Avaliado na classe 3, de produtos perigosos, o agrotóxico teve 90,5 mil toneladas comercializadas no período.
  • Entre os dez produtos agrotóxicos mais comercializados está o metamidofós, banido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro pelos altos riscos à saúde. A proibição será gradual e o produto poderá ser comercializado até 2012.
  • Também estão na lista dos mais vendidos os produtos à base de cipermetrina, óleo mineral, óleo vegetal, enxofre, ácido 2,4-Diclorofenoxiacético, atrazina, acefato e carbendazim. Segundo o Ibama, o acefato está passando por processo de reavaliação e pode ser banido das lavouras brasileiras.
  • Desde 2008, o Brasil tem o posto de maior mercado consumidor de agrotóxicos no mundo. As vendas do produto somaram U$$ 7, 125 bilhões, diante U$$6, 6 bilhões do segundo colocado, os Estados Unidos, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag).

O relatório completo está disponível no site do Ibama.

No Brasil, desde 1998, três órgãos fazem avaliações distintas sobre a comercialização de produtos agrotóxicos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) verifica a pertinência e eficácia do produto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia os impactos do produto sobre a saúde humana e o Ibama analisa as implicações do agrotóxico no meio ambiente.

Para avaliar os impactos dos agrotóxicos para a saúde humana, a Anvisa criou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para). Confira abaixo tabela com alguns resultados de avaliações em culturas feitas pelo programa em 2009 e divulgados em junho de 2010.

Legenda - NA: Não autorizado para a cultura. >LMR: acima do limite máximo de resíduo

De acordo com a tabela, dá para ver que a maior parte das amostras consideradas insatisfatórias tinha sido produzida com agrotóxicos não autorizados para a cultura. Neste aspecto, o destaque é o pimentão. Entre as amostras insatisfatórias por terem ultrapassado o limite máximo de resíduo, destaca-se o mamão.

Das 3.130 amostras analisadas, 29% (ou 907 amostras) foram consideradas insatisfatórias. Os estados que apresentaram maior percentual de amostras insatisfatórias foram Paraná e Piauí, com índice de 34%, acima da média nacional.

Para conhecer as consequências negativas que os agrotóxicos podem trazer para a saúde, leia Nota técnica de esclarecimento sobre o risco de consumo de frutas e hortaliças cultivadas com agrotóxicos, do Para/Anvisa.

Fontes:

Agrotóxicos comercializados no país são perigosos para o meio ambiente

Primeiro relatório sobre comercialização de agrotóxicos no país é lançado pelo Ibama

Relatórios de comercialização de agrotóxicos

Produtos agrotóxicos e afins comercializados em 2009 no Brasil

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) – Resultados de 2009

Comércio justo

Comecei a pensar sobre escrever aqui no blog a respeito de comércio justo depois de trocar alguns comentários com Rafisa no post sobre feiras orgânicas. Hoje, depois de uma experiência na Feira do Cabral, me senti obrigada a escrever algumas linhas sobre o assunto.

Na quinta-feira passada, também fui à Feira do Cabral e, entre outras coisas, comprei um maço de alface-crespa por R$ 1. Hoje, na mesma barraca, comprei dois maços pelo mesmo preço. A justificativa (oi? nem precisava) que o feirante deu para cobrar R$ 0.50 por maço foi que eles estavam menores esta semana. Na semana passada, lavei as folhas de alface e enchi um pote de plástico com elas. Hoje, lavei as folhas novamente e enchi 1,5 pote de plástico do mesmo tamanho.

Ainda sobre hoje, em outra barraca, vi umas mandiocas e fiquei com vontade de levar pelo menos uma pra casa. Eu tava com pouco dinheiro, de propósito, para não sair comprando tudo que via (hehehe), então só podia gastar R$ 1. Por isso pensei em levar apenas uma mandioca. O feirante então me disse que ele nem ia cobrar. Fiz questão, claro, que ele me cobrasse, por isso levei mais duas mandiocas para que o total desse R$ 1 certinho (custava R$ 2,50 o quilo e o que levei deu R$ 0,99).

Não tive como não pensar naquelas embalagens de biscoitos no supermercado, em que as fábricas reduzem o peso e volume e ainda fazem propaganda: “compre, nova embalagem”. O preço, por outro lado, é o mesmo de antes, se não maior. Tem também aquelas embalagens econômicas, que, se você for fazer o cálculo comparando, não são nada econômicas. Talvez, quem sabe, a economia seja na quantidade de plástico que eles usam para embalar o produto. Sei lá!

Saí da feira hoje pensando que não tem como eu deixar de consumir em feiras orgânicas e trocá-las por supermercados. Duvido muito que teria alguma dessas experiências em um deles. É tudo muito impessoal, para começo de conversa, por mais que você tente ser simpática e educada. Fato é que supermercado, há algum tempo, é exceção aqui em casa. Ontem mesmo fui lá, pra comprar iogurte natural e papel higiênico. E só. Foi a compra de duas semanas.

Agora que fique claro: comércio justo não tem a ver apenas com preço.

Características do Comércio Justo e Solidário:

  • Relações comerciais mais justas, solidárias, duradouras e transparentes
  • A co-responsabilidade nas relações; comerciais entre os diversos participantes na produção, comercialização e consumo;
  • A valorização nas relações comerciais, da diversidade étnica e cultural e do conhecimento das comunidades tradicionais.
  • A transparência nas relações comerciais, na composição dos preços praticados e na elaboração dos produtos, garantindo acesso a informação acerca dos produtos, processos, e organizações que participam do CJS.

Objetivos:

  • Promover o desenvolvimento sustentável, a justiça social, a soberania, e a segurança alimentar e nutricional;
  • Garantir os direitos dos (das) produtores (ras) e consumidores (ras) nas relações comerciais;
  • Fortalecer a cooperação entre produtores –comerciantes- consumidores e suas respectivas organizações para aumentar a viabilidade, reduzindo riscos e dependências econômicas;
  • Promover a autogestão; equidade de gênero, étnica e de gerações;
  • Garantir a remuneração justa do trabalho,
  • A valorização e preservação do meio ambiente, com ênfase na produção de produtos de base agroecológica e das atividades do extrativismo sustentável

Fonte: www.comerciojusto.com.br

O comércio justo vai de encontro às ideias do capitalismo mais predador e selvagem, que infelizmente ainda é o tipo de pensamento que muitas empresas, pequenas e grandes, seguem no mundo inteiro. Há um outro nome para isso: ganância. A nós, que discordamos desse tipo de postura, só nos resta torcer e fazer a nossa parte para que o mundo se torne mais ético e mais justo, também nas relações comerciais. Como? Nós consumidores podemos fazer uma escolha (dependendo da cidade, isso pode ser mais difícil): desistir de comprar em empresas convencionais (principalmente nas grandes redes) e passar a adquirir produtos em estabelecimentos locais, menores e mais coerentes com o movimento do comércio justo.

Saiba mais sobre comércio justo:

Comércio justo (Wikipédia)

comerciojusto.com.br

Faces do Brasil

Ética Comércio Solidário

Como funciona o comércio justo

Associação Ponto Solidário

Agricultura orgânica & comércio justo

Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário

Programa EcoSocial