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Manifestação em Curitiba contra atropelamento durante a massa crítica de Porto Alegre

Pedindo paz e respeito no trânsito.

“Menos violência, mais paciência!”

Notícia na Gazeta do Povo.

Bicicletada pela paz em Curitiba: é hoje!

Hoje vamos nos encontrar às 18h no pátio da reitoria da UFPR, na Rua Amintas de Barros (entre Dr. Faivre e Gen. Carneiro), para uma bicicletada a favor da PAZ e em protesto contra o atropelamento da massa crítica de Porto Alegre e contra a violência no trânsito.

Crédito: Tiago Costa Nepomuceno

Todos que fazem o trânsito estão convidados: ciclistas, pedestres, motoristas, motociclistas, skatistas, cadeirantes etc. A rua é de todos e precisamos conviver em harmonia! Se o trânsito é violento, se o tráfego não flui, a responsabilidade também é nossa, não apenas do poder público!

Crédito: cabelo

Acompanhe as novidades em relação ao caso do atropelamento da massa crítica de Porto Alegre no blog do movimento.

Assine o abaixo-assinado em repúdio ao atropelamento dos ciclistas em Porto Alegre.

E veja aqui informações sobre manifestações no Brasil e em outros países.

Crédito: Luiz Dorabiato (ou Engronha)

Conheça o Manifesto dos Invisíveis.

Alguns dados sobre frota de veículos e violência no trânsito do BPTran de Curitiba:

Frota de veículos de Curitiba em dezembro de 2010 – 1.197.974
Número de habitantes na cidade – 1.868.651

Frota de veículos de Curitiba em dezembro de 2009 – 1.149.456
Número de habitantes na cidade – 1.845.956

Clique na imagem para ampliá-la


“Mais amor, menos motor” (ou algumas palavras sobre o atropelamento da massa crítica em Porto Alegre)

Fato é que, desde que fiquei sabendo do atropelamento (ou da tentativa de homicídio) durante a massa crítica de Porto Alegre na última sexta-feira, foram poucos os momentos em que parei de pensar sobre isso. Não conheço nenhum ciclista em Porto Alegre, mas, diante de tamanha violência, fiquei bastante abalada e triste. Fiquei mesmo, sem drama e sem exageros. Como isso pode ter acontecido? O que se passava pela cabeça do motorista?

Essa tragédia (sim, tragédia, e graças a Deus sem vítimas fatais) é de um simbolismo enorme, e eu me senti como uma das vítimas. Quem participa de bicicletadas, quem pedala na cidade, quem é pedestre, sabe como o trânsito é violento, como as pessoas são ignorantes, frias e mesquinhas. Sabem que, pela forma como o motorista se comporta, encenando o papel de um verdadeiro Sr. Volante, fica o tempo todo claro que ele, se pudesse, atropelaria tudo e todos a sua frente. Por quê??

Não sei. Não consigo racionalizar o absurdo, que é como eu caracterizo esse atropelamento e esse tipo de atitude. Muita gente tem tentado justificar, falando que lugar de ciclista não é na rua, que a massa crítica não avisou as autoridades, que, inclusive, foram os ciclistas que começaram a bater no carro (???). Esse último argumento é do próprio motorista, segundo seu filho e sua ex-mulher.

Ok, peraí um pouquinho.

1) Lugar de ciclista é sim na rua. Quem diz isso não sou eu, é o Código de Trânsito Brasileiro. Inclusive a preferência é do CICLISTA E DO PEDESTRE (e de carroças etc) e os veículos motorizados devem CUIDAR daqueles que se locomovem sem motor. É isso que você vê nas ruas? Não. No entanto, quanto mais potente é o veículo mais seu motorista deveria ter responsabilidade sobre os outros menos potentes. Por quê? Porque o estrago que um caminhão pode causar é muito maior do que o que um ciclista causaria em um acidente em que, por exemplo, um pedestre fosse vítima. Mas é de uma lógica spockiana! De qualquer forma, essa conversa de questionar se o lugar da bicicleta é na rua é até uma boa discussão. Se não é na rua o nosso lugar, então onde é? Na calçada é proibido, nas canaletas (de Curitiba) também. Como regra, não há ciclovias nem ciclofaixas. Vão providenciar umas pra gente? Como é que fica?

2) O movimento não avisou as autoridades e os ciclistas pedalavam sem escolta. Sim, isso faz parte da lógica da massa crítica em todo o mundo. Por quê? Porque pedalamos todos cotidianamente nas ruas sem escolta, sem proteção. Porque com essa manifestação queremos reafirmar que lugar de bicicleta é na rua e que os motoristas precisam fazer o que o Código de Trânsito Brasileiro estabelece: nos respeitar. Não estamos pedindo nada que já não é nosso direito. Sim, juridicamente esse argumento é correto. A Constituição Federal nos dá a liberdade de nos expressar e de nos manifestar e fala em comunicado às autoridades competentes. Mas eu pergunto: um evento que acontece sempre na última sexta-feira do mês, há não sei quanto tempo, sempre saindo no mesmo horário e do mesmo lugar, como não pode ser de conhecimento das autoridades competentes? Outra questão: supondo que o pessoal estivesse errado (supondo, vamos lá), isso dá direito ao motorista atropelar um monte de gente? Aliás, me expliquem porque ele ficou três quadras atrás da massa! Por que ele não dobrou uma esquina, a primeira, quando teve a oportunidade?

A argumentação do antropólogo Roberto da Matta no livro “Fé em Deus e Pé na Tábua” explica isso. Falta igualdade no trânsito brasileiro, apesar de o Código de Trânsito afirmar que nós pedestres, ciclistas etc, em locomoção de forma mais vulnerável, temos preferência. Mas a preferência é, na verdade, do carro e dos veículos motorizados. Para o ciclista e para o pedestre, só existem deveres. Para os motoristas, só direitos. Tendo isso em vista, e considerando que o direito, a justiça está acima das leis, o argumento baseado na Constituição é pequeno e até revoltante. Só serve para culpar os ciclistas e justificar o motorista, esse sim completamente fora da lei.

Aliás, a lógica do direito no Brasil é completamente perversa. Como o próprio Roberto da Matta já afirmou: somos ótimos pensadores sobre as leis, mas péssimos executores. O sistema jurídico é bastante opressor e o pior: oprime quase sempre o mais fraco. Me responde só duas perguntas: quem está nas cadeias e quem tem acesso à justiça? Enfim, isso claramente tem a ver com o fato, mas essa já é uma outra discussão.

3) O argumento de que o motorista estava agindo em legítima defesa é absurdo! Porque a defesa só é considerada “legítima” se os meios e instrumentos utilizados forem proporcionais à agressão sofrida. Consideremos que havia ciclistas agredindo o carro (veja bem, o carro, não o motorista). O que são mãos, pés e sei lá quais objetos que podem ter sido usados, contra um veículo motorizado, de metal, pesado, com potência, em velocidade? Há aí uma proporcionalidade? Essa era a única forma que o motorista tinha de parar a agressão que supostamente sofria? Ele não podia simplesmente sair de trás da massa crítica, desviar numa esquina, parar o veículo etc.? Ele precisava atropelar mais de 20 pessoas que não estavam relacionadas à suposta agressão inicial? É absurdo esse tipo de argumento! E nem me convence essa história de que ele (o carro) estava sendo agredido, apesar de eu saber que existem esquentadinhos na massa crítica. Cadê a prova dele? É puramente testemunhal? Faça-me o favor!

Gente, carro é arma. Arma letal, fatal. No Brasil, responsável por muitas milhares de mortes todos os anos. Mortes de inocentes, crianças, idosos, pedestres, ciclistas, motoristas etc. Responsável também por danos físicos, danos ao meio ambiente, danos à cidade, ao trânsito, perdas econômicas. O carro é uma merda, como vocês não conseguem ver isso?

Todo mundo conhece uma vítima, pelo menos uma, do trânsito. Eu conheço várias, conheço vítimas (dois amigos mortos) e assassinos. Um colega de escola, por exemplo, atropelou e matou um ciclista na minha cidade natal. Ele não estava bêbado nem nada, não foi, a princípio, imprudente. Claro, nada aconteceu com ele. Será que ele deve se sentir culpado? Ele não teve a intenção de atropelar ninguém, com certeza. Mas atropelou e, o pior, matou. E isso pode acontecer com qualquer motorista, basta que se perca um pouco de controle ou auto-controle. Esse, na verdade, é o tipo de tragédia que acontece quando não se pensa sobre o uso que fazemos do carro. E essa tragédia é social. Quantos “dinheiros” você acha que a vítima desse acidente tinha? Quem anda de bicicleta para se locomover no Brasil?

Quero dizer com isso o seguinte: enquanto pensarmos em locomoção com carros da forma como pensamos, o trânsito vai continuar sendo violento. Engarrafamentos continuarão existindo, poluição também, continuaremos causando danos ao planeta, nos destruindo. Enfim… 

Que fique clara uma coisa. A princípio, eu não sou contra carro não. Acho útil, confortável, um veículo que pode ser interessante. Mas ninguém costuma pensar sobre os fatores negativos que o carro provoca, e que esses fatores são sim importantes, são sim perigosos, danosos à nossa saúde, meio ambiente, economia, sociedade etc. Parece que está tudo bem, mas está péssimo. Acordeeeeeeeeem!

Carro é arma, carro mata. Por isso, precisamos racionalizar o uso que fazemos dele, não naturalizá-lo. Não é natural ficar preso em congestionamento. Não é natural morrer de trabalhar para pagar suas dívidas para manter um carro, de preferência um lançamento. Existem soluções e todos somos livres para fazer escolhas. Mas vivemos em um mundo em que é ter carro ou não ter, e não ter significa ser inferior, pobre, incapaz. Por que, gente?

Um dia ainda teremos vergonha de sair de casa de carro!

Me disseram, sobre o acontecido, que pedalar é inseguro. E isso é verdade. Mas é porque existe uma verdadeira arma sobre a qual parece que ninguém pensa a respeito, ao contrário, valoriza: o carro. A última coisa que quero colocar aqui neste post é que esse tipo de comportamento do motorista, de qualquer motorista, não me intimida. Vou continuar enfrentando os carros, numa guerra cotidiana pelo espaço que tenho direito, como uma pessoa que livremente e conscientemente escolheu a bicicleta como forma de locomoção na cidade.

PAZ!

Violência no trânsito :(

Só vou colocar alguns links de notícias e vídeos. Sem mais comentários!

Mortes no trânsito superam homicídios de jovens em 5 Estados

Três pessoas são atropeladas na ciclovia de Copacabana

Grupo de ciclistas é atropelado na região central de Porto Alegre


Cinegrafista amador registra momento em que ciclistas foram atropelados

Mais sobre o atropelamento em Porto Alegre, no blog da Massa Crítica – POA.

Vou VSpi Mortes no trânsito superam homicídios de jovens em 5 EstadosM