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Hábitos saudáveis: equilíbrio é importante

A história nos mostra que extremismo e radicalismo não costumam funcionar mesmo que você tenha a melhor das intenções. Para quem procura ter uma vida mais saudável, ser muito radical também não dá certo. Acredito que todos precisamos encontrar o nosso ponto de equilíbrio, afinal o objetivo é viver melhor e mais feliz, certo?

Digo todos temos que encontrar o nosso ponto de equilíbrio, pois acho que ele não é um dado exato, mas é relativo e diferente para cada indivíduo. Para algumas pessoas, cortar a carne da alimentação é radical demais; para outras seguir a alimentação viva e o crudivorismo (um tipo de dieta vegetariana estrita) é super tranquilo. O ideal é que você se sinta bem com o tipo de vida que você está levando.

Além de relativo de pessoa para pessoa, o ponto de equilíbrio também pode ir mudando ao longo da vida de um indivíduo. Antes de me tornar vegetariana, achava que me alimentar sem carne era impossível. Depois, achava que cortar o leite e derivados fosse muito difícil. Mas hoje começo a pensar que não é bem assim. Até estou há mais de uma semana sem queijo em casa (inimaginável até pouco tempo!) e ainda não estou morrendo de vontade de ir comprar.

Se você é novo nessa coisa de levar uma vida mais saudável, para saber qual é o seu ponto de equilíbrio, você precisa ir testando. Tente, por exemplo, diminuir a quantidade de sal ao temperar sua comida. Com o tempo, você vai sentir cada vez mais o gosto real dos alimentos e vai se acostumar com o que antes você chamaria de “comida insossa”. Pode apostar que você não vai achar nada ruim. Ou então teste ir para o trabalho de ônibus, de bicicleta ou a pé, dependendo da distância. Apenas teste, uma vez. Depois tente fazer o trajeto de forma diferente uma vez por semana e vá sentindo se dá certo ou não.

Para quem está começando, o radicalismo muitas vezes não costuma funcionar mesmo. Às vezes frustra, às vezes faz você sofrer sem necessidade. É bem provável que o resultado disso seja um trauma e vontade zero de tentar novamente. Então vá com calma!

Também penso que temos que viver sem muito radicalismo em relação às regras que passamos a seguir. São regras, sim, e devem ser respeitadas (que vegetariano seria aquele que vai a uma churrascaria comer picanha uma vez ao mês?), mas podemos abrir algumas exceções. Sabemos que comer açúcar e sal em excesso é pouco saudável. Ok! No dia-a-dia, tentamos cortar ao máximo esses dois ingredientes. Mas por que não dividir com as amigas uma panela de brigadeiro? Se isso não for um hábito, não vai debilitar o seu organismo, pode ter certeza. O importante é ter bom senso.

Uso o mesmo argumento para falar sobre a utilização de carros. O problema não é ter carro. Sabe-se lá se um dia não vou precisar de um, certo? O problema está no uso desnecessário e pouco racional desse veículo, como ir de carro comprar pão na esquina. Quem tem carro não precisa ser considerado o verdadeiro vilão do mundo. Mais uma vez, o importante é ter bom senso (tanto para os que dirigem como para os que criticam).

É fato: vai haver momentos em que você terá que abrir exceções. E você não precisa morrer de culpa por causa disso. Aliás, quem é que precisa de mais culpa, hein?

Hábitos saudáveis: o esforço é só no começo

As pessoas costumam achar que quem leva uma vida mais saudável, é vegetariano, se exercita com frequência, usa a bicicleta como meio de transporte (e por aí vai) tem muitas limitações e muito trabalho para manter esses hábitos no dia-a-dia. Talvez até sofra. Não é verdade. Parar de comer carne, trocar o carro pela bicicleta e passar a se alimentar de forma mais saudável é difícil sim, mas só no começo. Não tenho como dizer que é fácil para todo mundo, pois um processo que envolve mudança de hábitos é um pouco difícil mesmo.

Para facilitar, uma boa dica é ir mudando aos poucos, não de forma drástica. Se for parar de comer carne, vá tirando a carne vermelha, depois as outras carnes, pouco a pouco, sem muito sofrimento. É bom também para ver como você vai se sentindo em cada etapa do processo. Outra possibilidade é ir reduzindo a quantidade de carne ingerida e a frequência, primeiro para três vezes na semana, depois para duas vezes e então uma vez, até não consumir mais.

Vegetariano também tem direito a churrasco

O mesmo vale para outras mudanças de hábito. O ideal é que você esteja convencido realmente de que a mudança é necessária e que lhe proporcionará ganhos, para a saúde e/ou para a consciência. É preciso ter vontade e motivo para mudar.

Para mim, deixar de comer carne não foi assim tão difícil, talvez porque, antes, por quase um ano, eu estava comendo com frequência apenas peito de frango e também porque estava realmente convencida do que queria. Parei de uma vez e não senti falta mesmo. Pelo contrário, senti rapidamente os benefícios da dieta vegetariana para o meu organismo e só tive certeza daí pra frente de que, se depender apenas de mim, nunca mais voltarei à época da alimentação onívora.

E vegetariano tem direito a quibe também!

É engraçado. No mesmo ano em que me tornei vegetariana, eu havia argumentado contra com veemência em uma conversa com o meu cunhado, que falava sobre os benefícios ao meio ambiente da alimentação sem carne. Então quando alguém fala pra mim que acha muito difícil deixar de comer carne, eu conto esse episódio e afirmo que essa resistência no início é natural e adotar uma dieta vegetariana não é tão complicado quanto pode parecer.

Muitos acham que a dieta vegetariana é restritiva. Mas que nada! No meu caso, passei a comer muito mais verduras, legumes e frutas, coisas que não comia tanto assim nos tempos de alimentação onívora. A variedade no meu cardápio aumentou, e não diminuiu. Além disso, descobri que as refeições com base apenas em vegetais podem ser muito deliciosas.

As minhas dificuldades surgiram na hora de comer fora de casa, o que é exceção pra mim. Como não como ovo também, sempre tinha que perguntar os ingredientes de bolos, pães e massas em restaurantes e nas casas de amigos e parentes. Às vezes não tinha muita opção e era um pouco chato. Mas hoje já estou acostumada com isso, meus amigos e parentes já sabem o que como, sei quais locais oferecem opções lacto-vegetarianas e, se não tiver jeito, como o bolo, o pão ou a massa com ovo mesmo (desde que o gosto de ovo não seja perceptível na comida).

Minha primeira bicicleta-meio de transporte, adquirida em 2007. Ela era péssima, mas mesmo assim continuei pedalando

Quanto à bicicleta, passei a usar o veículo como meio de transporte quando me mudei de cidade. Ter carro estava fora de cogitação. As minhas opções eram andar de ônibus, a pé ou de bicicleta. Foi realmente muito fácil optar pela bicicleta. Atualmente penso que só voltarei a ter um carro quando e se isso for realmente necessário. E, mesmo se tiver um, usarei apenas nas situações em que ele for essencial (nada de ir comprar pão na esquina de carro, né?). Também não gosto de trocar uma caminhada ou pedalada pelo transporte coletivo. Quando tenho que pegar um ônibus, sempre fico com saudade da minha bicicleta. É muito mais legal!

Enfim, com o tempo, os novos hábitos se tornam rotina como os antigos e passam a ser atividades naturais no seu dia-a-dia. A experiência e o conhecimento que você vai adquirindo ajudam muito nesse processo todo. Depois de um tempo de teste, se você estiver convencido de que sua vida melhorou, vai ser muito difícil você querer voltar aos antigos hábitos.