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De bicicleta em Morretes (parte 2)

Varanda do nosso chalé, na Pousada Graciosa

Continuando o relato da viagem a Morretes de bicicleta, nesse post vou falar sobre os nossos dias no município. Terminei o post anterior falando que chegamos à nossa pousada na sexta, no início da tarde. Eu e Eduardo nos hospedamos na Pousada Graciosa (uma ótima pousada, por sinal), que fica no bairro Porto de Cima, dois quilômetros antes da ponte sobre o Rio Nhundiaquara e oito quilômetros antes do Centro de Morretes. Então todos os dias tínhamos que pedalar 16 quilômetros só para ir e voltar da cidade.

Na estrada, voltando do Centro de Morretes. O acostamento é uma espécie de ciclovia

Foi o que fizemos na sexta-feira. Depois de pedalar os mais de 75 quilômetros de Curitiba até a pousada, tomamos um bom banho refrescante e fomos procurar um lugar para almoçar. Aliás, esse é um assunto que vou abordar na terceira e última parte do relato sobre essa viagem: como nos alimentamos na cidade em que os restaurantes vendem basicamente barreado e “frutos” do mar. Posso adiantar que é difícil, pra um vegetariano, comer em Morretes.

À beira do Rio Nhundiaquara, no Centro de Morretes

Nesse dia, depois do almoço, passeamos um pouco pela parte mais urbana da cidade e fomos até o Centro de Informações Turísticas da Praça dos Imigrantes. Lá falamos com o Edson (outro vegetariano), que foi muito atencioso e mostrou um vídeo institucional sobre Morretes pra gente.

Bicicletário de um supermercado na Rua XV de Novembro

De bicicleta em Morretes, você é capaz de se sentir um nativo. Quase todo mundo anda de bici por lá. Por isso quase todos os estabelecimentos comerciais têm um bicicletário. Outra coisa bacana: poucos usam correntes e cadeados quando estacionam a bicicleta. Achei sensacional!

Na volta pra pousada, paramos na sorveteria Banana da Terra e no Templo dos Licores, em Porto de Cima. O primeiro foi indicação de uma funcionária de uma lanchonete por onde passamos e o segundo, de uma amiga.

Licores feitos por Marcos Kaniak

Lá no Templo dos Licores conversamos um pouco com o dono do negócio e produtor dos licores, Marcos Kaniak, que também faz esculturas de pedras equilibradas, sem cola ou parafuso. Depois de provarmos alguns licores, saímos de lá com duas garrafas: uma de banana-passa e outra de grumixama.

Pedalada em Morretes

No sábado, acordamos cedo para ir até a estação de trem de Morretes, de onde saímos para fazer cicloturismo, atividade oferecida pela Calango Expedições. Pelo valor de R$ 60 para cada, tivemos direito a um guia, que fez conosco um trajeto de cerca de 30 quilômetros, seguro, bicicletas e equipamentos, como capacete e luvas. Mas resolvemos ir com as nossas próprias bicicletas e com os nossos equipamentos.

Lá vai o trem...

Geovani, o nosso simpático guia, pedalou conosco por um caminho de estradas de terra em áreas rurais de Morretes, como a Estrada do Central e a Estrada da Refinaria.  Durante o percurso, passamos por alguns vilarejos (Central, Ponte Alta, América de Cima, América de Baixo, Marumbi, Pantanal e Anhaia), rios, riachos e bicas d’água. Subimos um bocado e atravessamos o trilho do trem da Serra do Mar, não sei exatamente a que altura. Paramos um pouquinho ali e esperamos para ver passar o trem com vagões de passageiros que estava chegando a Morretes.

O Engenho da Serra...

Alguns quilômetros depois, chegamos ao Engenho da Serra. Conhecemos o engenho de cachaça mais antigo do Paraná ainda em funcionamento (recentemente completou 100 anos), almoçamos por lá e provamos algumas cachaças (eu provei a branquinha, a de banana e a de limão siciliano).

... e as cachaças produzidas lá.

Tivemos que levar pra casa uma garrafa de cachaça de banana (é muito boa!) e lamentamos que uns turistas americanos tinham passado antes por lá e levado todas as garrafas de cachaça de canela. Não deu nem pra provar!

Ponte sobre o Rio Marumbi

Continuando a pedalada, passamos por uma ponte de arame sobre o Rio Marumbi e quase paramos para tomar banho no rio um pouco mais a frente. Mas infelizmente tínhamos demorado muito no engenho e já estava um pouco tarde. Infelizmente também não tivemos como atravessar com a bicicleta por um rio, que estava mais cheio por causa das chuvas. Mesmo assim o passeio, apesar de cansativo, foi muito bacana. Ele exige um pouco, principalmente por causa do terreno acidentado e da estrada de terra, então não é muito recomendável para quem não costuma pedalar.  Dá para saber um pouco mais sobre a atividade no site da Calango Expedições e lendo essa reportagem.

Eduardo, Geovani e a estrada de terra

Quando voltamos ao Centro de Morretes, estávamos doidos para tomar um sorvete e o Geovani nos deu uma dica maravilhosa. A Sorveteria Sabor da Fruta (fica na Rua XV de Novembro) deve ser a melhor do estado, quem sabe do país. Eles fazem sorvetes totalmente naturais, sem ingredientes artificiais, usando fruta, muita fruta e leite. É realmente delicioso! Ficamos por lá tomando sorvete e conversando com os proprietários, seu Pedro e dona Vera, que também são responsáveis pela fabricação dos sorvetes. O negócio é realmente rigoroso com a qualidade dos ingredientes e com o sabor dos produtos.

É gostoso e faz bem :P

No começo, a gente desce meio sem jeito...

No domingo, o último dia da viagem, fomos descer o Rio Nhundiaquara de boia cross. Alugamos a boia (acho que era uma câmara de pneu de caminhão) na Pousada Itupava, por R$ 15, com direito a transporte (numa Kombi) até o início do trajeto, que tem três quilômetros de extensão e passa por muitas corredeiras, a maioria bem calma. Foi muito legal, refrescante, e não foi uma aventura assim tão radical, como pode aparentar. Eu, por exemplo, não caí da boia nenhuma vez. Indico a todos e todas!

Na volta do boia cross, quando fomos buscar nossas coisas na Pousada Itupava, conhecemos o proprietário, seu Ibrahim. Ele nos mostrou a pousada, falou bastante sobre a região que conhece bem e há 70 anos (durante um período de sua vida, todo final de semana ele costumava escalar montanhas do Marumbi) e conversou também sobre outros lugares muito bacanas do Paraná, como Guaraqueçaba.

Ufa, o trem chegou!

Depois fomos nos preparar para pegar o trem para voltar para Curitiba. Normalmente é assim que o pessoal que desce a Estrada da Graciosa volta pra capital. No domingo, por exemplo, só no nosso vagão tinha mais umas dez pessoas que haviam feito o percurso naquele dia. Antes, claro, fomos novamente à Sorveteria Sabor da Fruta. No fim de semana, eu provei (provei apenas, não tomei todos) os sorvetes de ameixa, maracujá, coco, chocolate, mate com limão(!!), gengibre, limão e uva e recomendo todos, hehehehe. E acabamos voltando de novo lá porque, além da boa conversa e do sorvete irresistível, o trem atrasou pra caramba (era pra sair da estação às 16h e saiu depois das 18h).

E a volta pela Serra do Mar de trem, claro, foi maravilhosa. Nós já tínhamos feito essa viagem com um amigo suíço no final de dezembro. Mesmo assim, não tirei os olhos da paisagem um minuto sequer.

A paisagem é sensacional

Uma coisa que me chamou bastante atenção em Morretes foi a quantidade de gente simpática e bacana que conhecemos só nessa viagem. Posso citar os donos da pousada em que ficamos, Mirian e Curt, o Edson, do Centro de Informações Turísticas, o nosso guia da Calango Expedições, Geovani, os proprietários da melhor sorveteria do Paraná, seu Pedro e dona Vera, e o proprietário da Pousada Itupava, seu Ibrahim. Nem precisava conhecer tanta gente bacana assim para que nós ficássemos com muita vontade de voltar a Morretes.

E com certeza voltaremos. Ainda queremos tomar mais sorvete da Sabor da Fruta, explorar o Parque Estadual do Marumbi, descer o Nhundiaquara de boia cross mais vezes, fazer o Caminho do Itupava, conhecer mais engenhos de cachaça… Dá até vontade de mudar para Morretes! :)

Também está nos nossos planos fazer de novo a descida pela Estrada da Graciosa, indo até Antonina da próxima vez. Quando voltei pra Curitiba, depois de tanta pedalada, tive que fazer uma revisão na bicicleta e já aproveitei pra instalar um bagageiro, pra facilitar as coisas numa próxima viagem sob duas rodas.


Só alegria na volta de trem.

Leia também:
De bicicleta até Morretes (parte 1)
Comida vegetariana em Morretes? (parte 3)

De bicicleta até Morretes (parte 1)

Na sexta-feira passada (dia 14), eu e Eduardo (meu marido) fomos de Curitiba até Morretes de bicicleta pela Estrada da Graciosa, que não conhecíamos. A viagem é muito bonita e foi sensacional ir de bicicleta. Nós dois nem somos do tipo atleta e conseguimos fazer o percurso de aproximadamente 75 quilômetros com tranquilidade. Resolvi contar um pouco dessa experiência, pois foi lendo relatos  como este, publicados em blogs e sites, que tracei o percurso que fizemos.

Saímos de casa às 7h30. A ideia era ir com tranquilidade mesmo, num ritmo bom e fazendo paradas pra comer, tirar fotos e descansar (se fosse necessário). Queríamos chegar na pousada em que fizemos reserva no início da tarde.

Como não conhecíamos o caminho, nem conhecemos a Região Metropolitana de Curitiba (no caso, Quatro Barras), resolvemos ir pela BR-116 (a Régis Bittencourt, no sentido de quem vai pra São Paulo) até o portal da Estrada da Graciosa. A outra opção é ir por dentro de Quatro Barras e pegar o começo de verdade da Estrada.

Curitiba amanheceu assim

Saindo do Alto da Glória, pegamos a Rua Nicolau Maeder, seguindo pela R. Gda-Mor. Lustosa, Av. Munhoz da Rocha, e fomos sempre em frente, pela Av. Pref. Erasto Gaertner e depois Av. Monteiro Tourinho, até a BR. Os primeiros 23,5 quilômetros foram bem tranquilos! O tempo ajudou, pois nesse dia Curitiba amanheceu nublada, mas sem chuva. E ficou assim até a nossa chegada à Estrada, quando o sol resolveu aparecer. Mas aí já podia ter sol, pois as árvores ajudaram fazendo muita sombra!

Bem na entrada da BR, rolou o primeiro imprevisto. Talvez por causa do peso que eu levava (além de comida para a viagem, tinha minha mochila com o “essencial” para passar quase três dias em Morretes), a minha cestinha caiu no chão, ficando, digamos assim, “pendurada” pelo eixo do pneu dianteiro. A sorte é que eu tinha acabado de desmontar da bicicleta. Imagino que, se isso acontecesse na BR, numa velocidade boa, ou descendo a Estrada da Graciosa, o tombo seria muito feio e dolorido. Enfim, fizemos um pequeno conserto ali, improvisando com um pedaço de fita de nylon encontrado na BR, já que um dos parafusos que prendia a cesta sumiu. Ficou assim até a volta a Curitiba, no domingo. E não caiu mais!

Logo depois tivemos que parar novamente só pra acertar a altura da cesta, que estava encostando no para-lama, e este no pneu dianteiro.

Tudo certo, seguimos em frente e pedalamos um bom pedaço ali pelo acostamento da BR – mais uns 30 quilômetros. Depois do problema com a minha cestinha, não enfrentamos mais nenhum imprevisto na BR.

Comemorando a chegada no portal, mas foi por pouco tempo

Ficamos felizes que só quando olhamos o portal da Graciosa, sem imaginar que ainda tinha muito chão e algumas subidas pela frente. Sem imaginar não, pois já haviam nos contado que pra descer a Estrada da Graciosa também é preciso subir um pouquinho. Um pouco depois de passarmos pelo portal, um menino com seus, sei lá, 11 anos nos alertou que havia umas ladeiras bem grandes logo a frente. Eu agradeci pelo aviso e ri, claro, pois sabia disso e já tinha pedalado mais de 50 quilômetros no dia.

Foi nessa parte da viagem que eu fui começar a me sentir cansada, e quando subi umas duas ladeiras parecia que estava faltando fôlego. Mas tudo bem. Foi muito legal chegar ao primeiro recanto, o Engenheiro Lacerda. Ficamos um bom tempo por lá e aproveitamos pra comer um pouquinho, admirando o litoral. Dava até pra ver o mar, apesar das nuvens! Quando estávamos saindo, percebi que o meu pneu traseiro estava muito murcho.

Não sei exatamente que horas furou o pneu, mas, mais uma vez, tivemos sorte, pois ele ficou vazio quando já estávamos parados no recanto mesmo, e não no meio da Estrada, que não tem acostamento. Por via das dúvidas, tínhamos levado quatro câmaras de reserva e no sábado anterior fomos aprender com o irmão de Eduardo como se trocava câmara de um pneu de bicicleta. Apesar de pedalar rotineiramente há quase quatro anos, nunca tínhamos feito isso antes. E deu tudo certo! Não voltamos a ter problemas com as bicicletas durante toda a viagem.

O restante da pedalada foi muito bacana. Depois do primeiro recanto é que começa, de fato, a descida. Fomos bem devagar, abusando dos freios, pra não nos acidentarmos, já que a estrada é estreita, cheia de curvas e lisa. Uma coisa boa foi que o trânsito de carros e motos estava bem pequeno na sexta de manhã.

Parada para abastecer a garrafa de água

Paramos em todos os outros recantos (Rio Cascata, Grota Funda, Bela Vista, Curva da Ferradura), no Parque Mãe Catira e em algumas bicas e córregos próximos a nascentes para abastecer nossas garrafas de água. Foi bom pra dar uma aliviada no braço e no punho. No final da pedalada, e por mais alguns dias, a parte de baixo da palma da minha mão esquerda ficou com uma leve sensibilidade, que parecia dormência. Mas passou.

A Estrada da Graciosa tem paisagens lindíssimas e descê-la de bicicleta fez com que nós pudéssemos fruir melhor toda essa beleza. Íamos descendo e agradecendo por todo aquele cenário realmente divino. Tentamos registrar muitas imagens, mas as melhores, certamente, estão guardadas na nossa cabeça e coração.

Depois de uns 24 quilômetros, a partir do portal da Estrada da Graciosa, chegamos finalmente à nossa pousada, oito quilômetros antes do Centro de Morretes, no bairro Porto de Cima, às 13h15.

É difícil escolher uma foto apenas...

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