Blog temporariamente suspenso

O vidamaissaudável tá que nem esse celeiro: suspenso :P

Pois é… Eu estava adiando esse post, mas não dá mais para negar que o blog está suspenso. Desde março que não escrevemos uma linha por aqui :(

Fato é que eu e Eduardo estamos sem tempo para nos dedicar ao blog. Muitas coisas (boas) acontecendo, muitas mudanças em breve… Enfim, espero poder voltar a me dedicar ao blog. Quando? Aí eu não sei… Com certeza estarei mais tranquila quando acabar o mestrado (principal motivo de o blog ter sido suspenso, eu acho).

Enquanto isso, continuamos vegetarianos, pedalando e tentando levar uma vida mais saudável :)

Mas é isso: blog suspenso, temporariamente. Ele vai voltar a ser ativo, Oxalá!

:)

Receita: Patê de semente de girassol germinada

 

Mais uma receita vegana rápida, fácil e deliciosa. Faço pra uso diário. Uma delícia com bolacha água e sal, torradas, pães etc. lanche etc.

Sementes de girassol descascadas

Ingredientes:

  • 1 xícara de sementes de girassol germinadas
  • 1 colher de sopa (bem cheia) de tahine
  • 1 cebola pequena
  • 1 dente de alho
  • 3 colheres de sopa de shoyu (molho de soja)
  • 2 colheres de sopa de azeite extra virgem
  • pimentas em grãos moídas na hora (a gosto)

Basta bater tudo no processador (ou liquidificador) até obter um creme homogêneo.

; )

Para Bom Dia Paraná, alimentação vegetariana não é saudável

Entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março, o Bom Dia Paraná, da RPC, levou ao ar uma série de cinco reportagens sobre alimentação. A segunda foi sobre vegetarianismo, recebeu o título “Série sobre alimentação mostra os hábitos de quem não come carne” e a seguinte descrição:

A segunda reportagem da série sobre alimentação mostra um estilo de vida diferente: pessoas que optaram por não comer carne. Especialistas ensinam como compensar a falta desses nutrientes no organismo.

Agora assista ao vídeo:


Desde a cabeça da matéria (texto falado pelos apresentadores em estúdio), já podemos antecipar que o assunto vegetarianismo vai ser abordado levando-se em consideração aspectos negativos e opiniões do senso comum: a dieta vegetariana é restritiva e pode ocasionar deficiências nutricionais alarmantes. Em um primeiro momento, fala-se em opção saudável, afirmação logo posta em questão pela apresentadora que cita um alerta “dos especialistas em nutrição”. Essa, na verdade, será, resumidamente, a estrutura como a notícia será construída.

O início da reportagem parece bem promissor. São apresentadas duas pessoas vegetarianas, Daniele Rodrigues e Ricardo Laurino. A primeira fala basicamente sobre a opção de cortar a carne por um motivo ético e o segundo comenta questões como aumento de pessoas procurando informações sobre vegetarianismo e saúde.

Em seguida, a repórter afirma que a carne é importante fonte de proteínas, ferro e vitaminas, que precisam ser substituídos. Então ouvimos a primeira nutricionista, que adota a dieta vegetariana, comentando que esses nutrientes não estão exclusivamente na carne e em outros alimentos de origem animal, apenas a vitamina B12 está.

É isso que a Natália Chede está falando, mas no texto dos jornalistas e na forma como a matéria foi construída, o que parece que está sendo dito ali é que os vegetais servem para compensar e substituir a carne. Quero dizer: a carne é o alimento principal para se buscar esses nutrientes. Cortando-a, você deve optar pelos vegetais e grãos. Na verdade, isso é um grande equívoco. Não se trata de uma questão de substituição, mas de comparação: vegetais e grãos são mais saudáveis que carnes. E isso deve ser algo que os onívoros precisam também ter em mente.

Engraçada a pergunta feita pela repórter ao terceiro vegetariano ouvido (Emerson Apio, que é vegano): “como você faz pra se alimentar? é muito difícil?”. Na pergunta, que a edição optou por deixar explícita na reportagem, a gente percebe uma opinião comum sobre vegetarianismo e veganismo – essas dietas são restritivas e muito difíceis de se manter. O Emerson, então, desmente isso e retoma a questão da saúde.

Então, no off (texto narrado pela repórter sem que ela apareça na tela), ouvimos mais uma vez palavras como “restritiva”, “preocupação”, “cuidados”. São escolhas discursivas importantes de serem apontadas aqui, principalmente porque se repetem no texto da reportagem.

Aí ouvimos a nutricionista Natália Chede falar em necessidade de acompanhamento da vitamina B12 e de, se for o caso, suplementação dessa vitamina.

A última parte da reportagem traz à tona a polêmica em torno do vegetarianismo entre profissionais de nutrição. Então é ouvida uma outra nutricionista, Helena Loureiro, contrária ao corte de carne, mas a favor da redução da quantidade ingerida desse tipo de alimento (porque a opinião majoritária é que carne é fonte de nutrientes essenciais, por isso não deve ser cortada, mas não é um alimento inteiramente saudável, por isso não deve ser tão consumida). A matéria termina, então, com uma contradição de grande parte daquilo que havia sido dito por vegetarianos e pela primeira nutricionista.

Em um primeiro momento, achei interessante a inclusão da opinião divergente, pois traz uma característica plural e que marca a realidade do vegetarianismo. O vegetarianismo não existe em si, mas é entendido, relacionado e experienciado em contraposição a uma visão dominante sobre como deve ser a alimentação. Onívora, no caso. Mas, vendo as outras quatro reportagens da série, percebi que essa opinião divergente, na verdade, é a opinião à qual o Bom Dia Paraná se filiou. A inclusão desta fala no final da reportagem não é à toa: sua função não é apenas de desfecho, mas de trazer, de fato, uma conclusão sobre o tema.

Por quê? A reportagem sobre o vegetarianismo inclui-se numa série que trata a alimentação a partir dos seus males, para ser concluída com uma última reportagem ensinando como deve ser um prato saudável.

A primeira reportagem é sobre obesidade, a segunda sobre vegetarianismo, a terceira sobre exageros com dietas e problemas psicológicos decorrentes, a quarta sobre abuso de sal, açúcar e gordura. Estranho, não?

Pois bem, na última reportagem, que nos ensina a comer direito, o prato saudável é com carne e desconsidera completamente a questão do vegetarianismo.

A conclusão a que cheguei após assistir a esta série é o título deste post: para Bom Dia Paraná, alimentação vegetariana não é saudável. E olha que eu sou vegetariana e assisti a essa reportagem sobre vegetarianismo com boa vontade. Imagina, agora, quem não é vegetariano ou quem estava pensando em cortar a carne da alimentação. O que essas pessoas pensaram sobre o vegetarianismo após assistir à reportagem ou à série?

Aqui, fiquei com a impressão de que questões como pluralismo e a polêmica entre profissionais de nutrição só serviram para falar sobre o vegetarianismo, com o sentido de deslegitimar a opção das pessoas que não comem carne. O mesmo pluralismo e a mesma polêmica são completamente esquecidos quando se trata de “receitar” o “prato saudável” no fim da série. Por quê?

Verón diz que sempre existem várias leituras possíveis dos conjuntos textuais que circulam no interior de uma sociedade. Um mesmo texto pode ser submetido a diversas leituras, ou seja, resultar em efeitos de sentido diversos.
Do artigo “O texto na reportagem de televisão”, de Cárlida Emerim.

A abordagem de um acontecimento no telejornalismo não é muito diferente da narração de um relato pessoal a não ser pela abrangência e pelo número de fontes que influenciam na elaboração da notícia que é transmitida. Não se pode falar em singularidade do fato se passamos a compreendê-lo a partir desta ótica. A descrição de um acontecimento é uma construção orientada pelas condições de quem a produz.
Do artigo “Muito além da objetividade”, de Adilson Cabral.

O debate em torno de como o telejornal forma a opinião de milhares de cidadãos e a maneira como os discursos e as falas selecionadas são passados para a população como uma amostra da “realidade” fazem com que o papel do jornalista seja ainda de maior responsabilidade, tendo o cuidado para que sonoras e imagens não recriem uma “realidade”, mas que de fato mostrem a realidade dentro da sua diversidade, levando em consideração a narrativa telejornalística como “construção” (TRAQUINA, 2005).

Sylvia Moretzsohn (apud GRANDE, 2004: 35) sugere que quando o telejornalismo aceitar a “dúvida como componente de trabalho” – já que a realidade é mutável, inconstante e ela é a matéria prima do
telejornalismo como também dos documentários – o discurso jornalístico passará a ser menos afirmativo e conclusivo e assim menos mistificador. É nesse sentido que Bourdieu (1997: 29) afirma que a televisão “que se pretende um instrumento de registro torna-se um instrumento de criação da realidade”, já que elimina a dúvida, o silêncio, o não verbalizável, que, muitas vezes, está muito mais carregado de sentido do que aquilo que é dito.
Do artigo “A entrevista no telejornalismo e no documentário: possibilidades e limitações”, de  Christina Ferraz Musse e Mariana Ferraz Musse.

Por um uso mais racional do carro*

Tem gente que diz que os ciclistas urbanos, principalmente aqueles que optaram pela bicicleta pelo fato de ela ser um meio de transporte mais sustentável, odeiam os carros. Não é verdade. Quero dizer, até pode ser verdade no caso de alguns, mas não há razão para se odiar os carros.

Ao invés de lutarmos pelo fim dos carros, devemos pensar em seu uso sim, só que mais racional. Carros são úteis e para algumas pessoas (não tantas assim, na verdade) este transporte é a única opção.

O problema surge quando nós passamos a utilizá-los para ir comprar pão na padaria da esquina. Outro problema é quando não conseguimos nos organizar para evitar tanto desperdício (de dinheiro, de energia, de espaço etc.) e passamos a circular solitários em nossos automóveis (o que, diga-se de passagem, é muito, muito comum).

O maior problema, eu diria, é quando o carro passa a significar algo bem diverso do sentido para o qual foi criado. Além de ser meio de transporte, é sinônimo de status, é instrumento de “pertencimento”, uma forma de inclusão, é item obrigatório, sendo indiscutível a necessidade de se ter um na garagem. Aí o uso do carro já está bem longe de ser racional.

E a conseqüência de uma mentalidade assim é que isto se espalha para além de uma questão individual: tenho ou não tenho um automóvel? Se tiver, que uso farei dele?

Carros são, hoje, os donos das ruas. O pedestre e o ciclista é que têm que ficar espertos quando estiverem transitando por seu “território”. A lei nas ruas é contrária ao Código de Trânsito Brasileiro, que diz que pedestres e veículos não motorizados têm preferência sobre todos os demais.

Além disso, os carros costumam ser prioridade na maioria das administrações públicas. Por quê? Porque não se discute o seu uso racional. Ao contrário, abrem-se cada vez mais avenidas, transforma-se tudo em asfalto para que eles possam circular, para se tentar contornar um grande problema que os carros mesmos criam: os temidos engarrafamentos.

Irracional, então, é propor: vamos deixar os carros em casa e utilizar mais o transporte público ou a bicicleta; vamos tirar espaços de estacionamento nas ruas e criar ciclofaixas; por que não diminuir a velocidade máxima nas vias, em nome da segurança?; por que não reduzir o fluxo de veículos?

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Não se trata de combater o automóvel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva à negação de sua função. É claro que o urbanismo não deve ignorar o automóvel, mas menos ainda aceitá-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo caso, pode-se prever sua proibição dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.

Guy Debord, dezembro de 1959

em “Posições Situacionistas sobre o Trânsito”

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*Texto originalmente publicado no blog Transporte Humano em dezembro de 2008.

Outros textos publicados no Transporte Humano:

Reportagem sobre atropelamentos em Curitiba condena quem? Os pedestres!

Não costumo assistir a televisão. Aliás, há alguns anos nem tenho televisão em casa. Por acaso, no entanto, encontrei a matéria “Os cruzamentos de Curitiba com mais atropelamentos por ônibus”, veiculada no dia 23 de fevereiro no programa Paraná TV 2ª edição da RPC.

Achei interessante o mapeamento das vias mais perigosas da cidade, que registram maior número de atropelamentos por ônibus. Mas o que achei mais interessante nesta matéria foi como a abordagem desse tipo de acidente de trânsito tratou as vítimas. É impressão minha ou os pedestres são os culpados pelos atropelamentos?

Assista ao vídeo:

Dá pra fazer um paralelo com o desrespeito aos ciclistas no trânsito. Já falei isso aqui antes: hoje os moradores das cidades e seus governantes, ao priorizarem veículos motorizados como meio de transporte, pensam que as ruas devem servir preferencialmente a esses veículos. Aos ciclistas e pedestres, só deveres. Temos que atravessar na faixa (com semáforo e verde!!), temos que andar apenas nas ciclovias, temos temos temos… Não consigo não me surpreender com esse verdadeiro absurdo.

As ruas, que poderiam ser usadas pra tantas coisas (locomoção seria apenas uma delas), são espaços quase exclusivos para o trânsito de carros, motos e ônibus. Se um pedestre ou um ciclistas se “aventura” nesse território, é por sua própria conta e risco. Os motoristas, então, não podem se responsabilizar por danos causados a esses “alienígenas”. Mas como assim?!?

Como jornalista posso afirmar que esse tipo de tratamento ao assunto é completamente “deseducativo” e serve apenas para reafirmar e naturalizar uma postura no trânsito muito negativa. Não contribui em nada, nem para diminuir o número de atropelamentos na cidade. Muitos pedestres continuarão a andar desatentos e a atravessar fora da faixa (como se as faixas fossem de fato respeitadas pelos motoristas), e isso não está errado não. Essa matéria traz um tipo de pensamento contrário ao que já diz o Código de Trânsito Brasileiro: veículos maiores é que devem dar preferência aos menores, zelando por sua segurança. Veículos motorizados devem cuidar dos veículos não-motorizados e dos pedestres. Quem precisa ser conscientizado, nesse caso, é quem está dirigindo, muito mais do que as pessoas que estão andando a pé!

Aliás, muito interessante o flagra no link ao vivo na Sete de Setembro do motorista entrando irregularmente na Westphalen (no final do vídeo). De que adianta pedestres e ciclistas atentos e respeitando as regras, se os motoristas não respeitarem também?

Curitiba (e muitas outras cidades) trata muito mal seus pedestres. Engraçado, porque nem todo pedestre é motorista, mas todo motorista é necessariamente, ainda que apenas um pouco, pedestre.

Vídeo do blog Cidade do Pedestre.